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	<title>Juliano vs. Jubash</title>
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	<description>Pensamentos confusos, aleatoriedades e outros quetais</description>
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		<title>Juliano vs. Jubash</title>
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		<title>Just like a Woman – Charlotte Gainsbourg</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 17:44:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Sei que não é a coisa mais original do mundo escrever em cima de uma letra de música. Um monte de gente, do Bortolotto ao Nick Hornby, já fez isso. Mas dá vontade de vez em quando. Então, segue mais uma viagem que está bem longe de ser uma tradução literal, agora com Just like [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=111&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://julianojubash.wordpress.com/2012/02/24/charlotte-gainsbourg/"><img src="http://img.youtube.com/vi/FNnxKr7CX1c/2.jpg" alt="" /></a></span><br />
Sei que não é a coisa mais original do mundo escrever em cima de uma letra de música. Um monte de gente, do Bortolotto ao Nick Hornby, já fez isso. Mas dá vontade de vez em quando. Então, segue mais uma viagem que está bem longe de ser uma tradução literal, agora com Just like a Woman, da Charlotte Gainsbourg. <a title="Charlotte Gainsbourg -Just like a Woman" href="http://www.stlyrics.com/lyrics/imnotthere/justlikeawoman.htm" target="_blank">Letras aqui</a>. </em><span id="more-111"></span></p>
<p>Mesmo ausente, Elisa tinha uma certeza esculpida em pedra: está tudo bem. Enquanto fumava devagarzinho olhando para a chuva, todos estavam dormindo. Alimentados, felizes, sem que nada estivesse menos do que perfeito. Lençóis cheiravam bem como num comercial de amaciante, camas macias, barrigas quentinhas e cabeças sem ter com o que se preocupar. Quem queria beber, bebeu o quanto queria. Cachorros e crianças exaustos de tanto brincar. E é bom demais sentir essa paz envolvendo tudo. É bom demais ser a dona dessa casa, dessa família, ser mãe, esposa, amiga. Respirou, soltou a fumaça e pensou que conseguiu, era bom finalmente ser gente grande.</p>
<p>&nbsp;<br />
Depois, puxou o ar parar dentro, para tragar, e encheu a cabeça com uma dúvida que deixou seu corpo dormente. E se tivesse mudado de vida quando teve chance há um par de anos atrás? Se tivesse mudado de país, de cidade ou de atitude quando ainda era só a Lisa? Soltou a fumaça de novo, viu que não dava mais tempo de recomeçar e sentiu-se totalmente presa. Sem poder dar sequer mais um passo para frente. Teve vontade de chorar escondido, feito uma criança.</p>
<p>&nbsp;<br />
Se os planos tinham dado certo, os sonhos de outros dias voltavam para atormentar. Viver o clichê é o bastante? Daqui mais uns anos, Elisa teme olhar para trás e ver que não mudou nada o que queria mudar. Seria terrível ver nos olhos da sua filha a mesma piedade com que olhou para sua mãe, quando ela estava descabelada, trabalhando para os filhos e não sabia o nome de um restaurante, de um artista ou um filme.</p>
<p>&nbsp;<br />
Não queria morrer dentro de seu próprio corpo, esquecer das suas paixões em troca de uma segurança que promove um conforto recheado de desconforto. Foi isso que percebeu naquele momento, quando sua única opção seria disfarçar o cheiro do cigarro antes de se deitar e sofrer caladinha, engolindo seco e dormindo com medo do dia seguinte, como uma criança que precisa chorar escondida.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/111/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=111&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Não dá mais para ser Holden Caulfield</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Feb 2012 19:37:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Não dá mais para ser Holden Caulfield. Meu nome é Anderson e tenho um sobrenome comum que mostra que não tenho vô italiano nem pais ricos. Silva, Souza, Pereira poderia ser qualquer um desses. É Santos. Irônico, já que desde criança acho estúpido o gesto de se benzer no momento de passar em frente a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=92&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="holden-caulfield" src="http://fc07.deviantart.net/fs7/i/2005/250/e/a/Catcher_in_the_Rye_by_holdens_shadow.jpg" alt="" width="614" height="461" /><br />
Não dá mais para ser Holden Caulfield. Meu nome é Anderson e tenho um sobrenome comum que mostra que não tenho vô italiano nem pais ricos. Silva, Souza, Pereira poderia ser qualquer um desses. É Santos. Irônico, já que desde criança acho estúpido o gesto de se benzer no momento de passar em frente a uma igreja. E isso foi só o começo. Hoje acho estúpido ter esperança. Em mim, nos outros, no que chamam de Deus. Tanto faz. É triste de tão estúpido.<span id="more-92"></span></p>
<p>Vivo sentado no meio fio, com a mão quebrada e um pouco de sangue seco no canto da boca. Apanhei numa briga que não era minha. Pensaram que entrei na confusão para defender o mais fraco, mas, na verdade, eu queria mesmo era ter sido surrado. Esse é o meu estilo. Quando não consigo o que eu quero, eu controlo a minha falha. Não quero e não deixo o final melancólico chegar no horário. Adianto o relógio e quebro a cara de propósito.</p>
<p>&nbsp;<br />
Estou arrebentado, só com o dinheiro contado para esperar o mês morrer, vestindo coisas inadequadas, vagabundas. De mim foge e volta o cheiro das putas, dos cigarros e do suor da briga. Ao mexer meu braço, ouço um estalo. Ao abrir a boca, só sei dizer o que os outros querem escutar. Não sei o que é pior. Não sei mais ser eu mesmo, e tudo o que eu quero agora é que não me incomodem. Não quero mais escolher nada nem ser nada. Claro, nem sempre foi assim. Minha meta era criar minha própria família perfeita. Casar com a menina por quem fui apaixonado. Ter filho, cachorro, carro, casa, sogra, lista de presentes no natal. A porra toda.</p>
<p>&nbsp;<br />
Queria ser respeitável, compacto, resolvido. Justamente o contrário do que sou agora. O consolo é que não fui derrotado pelas impossibilidades. Me derrotei. Com gosto. Não esperei os anos passarem para perceber que não iria conseguir. Gastei cada centavo, magoei cada amigo e ignorei cada parente. Perdi o emprego estável, bati o carro velhinho que quebrava o galho tão bem. Roubei minha namorada, levei toda a grana dela para não ser perdoado nunca.</p>
<p>&nbsp;<br />
Fugi, como Holden. Estraguei tudo, como Holden. Mas não vou voltar, como Holden. Não quero de novo viver no desconfortável conforto do quase. Quase ter as coisas é muito irritante. Se não consigo, prefiro perder logo. Prefiro conquistar a perda. Me nego a crescer, evoluir e melhorar. Até porque duvido que alguém consiga fazer isso para si mesmo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/92/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/92/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=92&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>São Paulo – Madri – Barcelona</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 17:50:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Testa molhada de suor, braços abertos, sorriso no olhar, começa a falar alto: “Bem-vinda! Espero que tenha feito boa viagem! Veio por Madri, né? Odeio Baraja, sempre me perco lá. Percebeu o tamanho daquela porra? Fizeram só para humilhar o aeroporto de Barcelona&#8230; mas você vai ver rapidinho que eles só ganham de nós nisso, no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=87&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="barcelona-guel" src="https://fbcdn-sphotos-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/228458_10150179611554423_722944422_6853695_3890758_n.jpg" alt="" width="576" height="432" /><br />
Testa molhada de suor, braços abertos, sorriso no olhar, começa a falar alto: “Bem-vinda! Espero que tenha feito boa viagem! Veio por Madri, né? Odeio Baraja, sempre me perco lá. Percebeu o tamanho daquela porra? Fizeram só para humilhar o aeroporto de Barcelona&#8230; mas você vai ver rapidinho que eles só ganham de nós nisso, no resto eles não conseguem nem chegar perto. Você percebeu que eu já estou falando eles e nós, como se eu fosse catalão, né? É isso que acontece quando você pisa nessa terrinha. Logo, logo, você também vai sentir raiva quando ver uma bandeira da Espanha ou uma camiseta do Real. É bem rápido, você vai ver”.<span id="more-87"></span><br />
O braço esquerdo para fora do carro para espantar o calor, a mão direita segurando o cigarro que ele mesmo enrolou (porque comprar cigarro na Europa é caro demais). O som tocando em um volume bem baixo, para não interferir na conversa. “O povo daqui é encardido. Quando você visitar algum museu, vai se ligar que eles têm um orgulho fodido de ser desse jeito. Essa semana mesmo vi a polícia prendendo um camelô, que tinha todo o jeito de ser africano e bem pobre. O guarda torceu o braço do cara para trás, derrubou a sacola que ele levava para tentar fugir com as muambas&#8230; e rapidinho juntou um monte de gente vaiando a polícia. Chegou uma velha e deu um puta esporro no guarda. Disse que o cara estava errado, mas que tinha que ser tratado como gente. Foi muito foda. Acontece esse tipo de coisa direto aqui. Não tem como não simpatizar com o povo catalão.”</p>
<p>&nbsp;<br />
Mesa na rua, pan con tomate, cerveja, trânsito diminuindo. Já era noite no relógio, mas o céu no verão da Catalunha estava vestido como se fosse uma tardezinha, tipo depois do almoço. “Quando rolou a Guerra Civil, aconteceram coisas muito geniais aqui. Por um tempinho os rebeldes anarquistas e comunistas tomaram a cidade e estabeleceram uma lei não escrita de igualdade total. O garçom não precisava chamar ninguém de senhor, os ônibus eram de graça, um monte de coisa legal. Você tem que ler “Lutando na Espanha”, do Orwell, é um dos livros que eu mais gosto na vida. Se ficar com preguiça, ouve “Spanish Bombs”, do Clash, que dá quase no mesmo. Acho que a cidade ainda vive um pouco disso, sabe? Eles querem ser diferentes sendo melhores, mas não é um ‘ser melhor’ arrogante como o dos madrilhenhos. Querem te tratar melhor, te deixar mais à vontade, sei lá. Apesar desse calor filho da puta às nove da noite, você já não está se sentindo em casa aqui?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Sentado na porta de casa, tinha esquecido (ou perdido) as chaves em algum lugar. Passava das três da manhã e crianças ainda jogavam bola na rua, velhos com suas cadeiras de montar conversavam na frente dos apartamentos. Estava bastante bêbado. “As madrugadas aqui são assim, gente na rua e esse clima de cidadezinha do interior. Não dá medo de nada. Parece sempre que você é o mais malandro, que o pessoal é bonzinho demais. Claro que tem os imigrantes latinos, que andam iguais aos chicanos dos Estados Unidos, com camisa xadrez abotoada até o pescoço, meias levantadas e aquela porra toda. Mesmo assim, são só um bando de trabalhadores que ganham pouco e ficam pagando de malandros. Mas falta maldade nessa porra de cidade. São respeitadores, educados, legais, mas falta malandragem. Vou voltar logo para o Brasil para não ficar como eles. Quero andar apressado de madrugada em São Paulo. Sinto falta de estar esperto. Meu lugar é naquela velocidade, por mais opressora que ela seja.”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/87/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/87/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=87&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Nosso abraço, nosso beijo e nosso adeus</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jan 2012 17:43:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Nosso abraço é nosso porque você me chamou a atenção. Disse que você era boa de abraçar e você me corrigiu, colocou a frase na terceira do plural. Tinha razão em dizer isso. Aqueles momentos de tanta proximidade não terminavam nem começavam nos meus ou nos seus braços. Sempre foi um ciclo, um caminho que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=57&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://julianojubash.wordpress.com/2012/01/26/abraco-beijo-adeus/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-6cMQ6kBm0k/2.jpg" alt="" /></a></span><br />
Nosso abraço é nosso porque você me chamou a atenção. Disse que você era boa de abraçar e você me corrigiu, colocou a frase na terceira do plural. Tinha razão em dizer isso. Aqueles momentos de tanta proximidade não terminavam nem começavam nos meus ou nos seus braços.<span id="more-57"></span></p>
<p>Sempre foi um ciclo, um caminho que se repete sem jamais cansar. Sentia, ao mesmo tempo, que estava segurando e sendo segurado, aquecendo e sendo aquecido, protegendo e sendo protegido.Quando fico longe, sinto falta demais daquele calor e daquela sensação de não saber onde termina meu toque para começar o seu. Fica faltando um pedaço, a tampa do pote, a capa do livro, o parmesão derretido em cima da lasanha que acaba de sair do forno. Bem, a falta é mais de descrever e mais difícil de lidar.</p>
<p>Não queria pensar nisso, mas é inevitável, acabo procurando o que está errado e vejo que você não está em volta. E tanto faz se faz cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Faz falta do mesmo jeito.</p>
<p><strong>Nosso beijo</strong><br />
Muitas vezes, enquanto passávamos horas conversando sobre a vida, me perdia no assunto ao olhar para a sua boca. Pensava em como seria o seu gosto. Em poucos segundos elencava possibilidades, das melhores até as piores, com a expectativa boa vencendo sempre com facilidade. Afinal, seria frustrante demais descobrir que por falta de experiência, de tesão ou por alguma impossibilidade de encaixe, nosso beijo não fosse ser algo notável.</p>
<p>Mas sentia seu cheiro, mergulhava nos seus olhos, tocava sua pele e ouvia sua voz com adoração. Não podia dar errado. Não deu.<br />
Nosso beijo teve gosto de fruta da estação. Aquela mais gostosa, que se come com fome e com mordidas grandes. Sinto um sumo bolindo com todos os meus sentidos. Parece pimenta, mas não arde, só aquece, amortece e deixa todos os outros sabores sem a mesma graça depois. Fica um gosto morno em torno dos lábios e da alma, que não me deixa nem quando você vai embora.</p>
<p>É o único doce que não enjoa nunca. Somado à nossa respiração tão ofegante quanto sincronizada, sinto um perfume que me hiptoniza e me transporta para um lugar onde o tempo está cristalizado. É um lugar que não sei descrever, mas é onde eu sempre quis estar. Lá estou sempre muito calmo, pois não procuro por mais nada.</p>
<p><strong>Nosso adeus</strong><br />
Nosso adeus é fraquinho e mentiroso, de um jeito sem vergonha que só ele tem. Quantas vezes você me pediu para sumir? Quantas vezes eu já sumi sem você querer? Quantas vezes mais vou fingir que é viável viver sem pensar em você e no que fomos, no que somos, no que seremos?</p>
<p>Só que as circunstâncias forçam a atuação desse ator terrível. Ele entra em cena, não convence, só existe para insistir em ser ignorado. Digo adeus e percebo que tudo na minha volta faz lembrar você, que meu carro dirige sozinho para passar na frente da sua casa, que todas as coisas boas que eu planejo para mim, também já têm um lugarzinho reservado para você do meu lado. Você some do meu alcance, mas não sai da minha cabeça.</p>
<p>Dizer esse adeus definitivo seria o mesmo de enterrar uma versão muito boa de mim mesmo que foi criada sob medida para você. Tenho certeza de que essa versão ficaria perdida e nunca mais acharia ninguém para abraçar e para beijar do nosso jeito.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/57/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/57/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=57&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O dia em que acordarmos juntos</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jan 2012 19:46:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[O dia em que acordarmos juntos será inesquecível para mim. Na verdade, antes de inesquecível vai ser um trabalho de continuísta experiente. Vou comparar a realidade com os quilos de expectativas que carrego há esses oitocentos anos. Primeiro, olhando para dentro.Perceber e checar e checar de novo se realmente consegui alcançar essa alegria de ter [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=48&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://julianojubash.wordpress.com/2012/01/24/48/"><img src="http://img.youtube.com/vi/5ImGP33hcc4/2.jpg" alt="" /></a></span><br />
O dia em que acordarmos juntos será inesquecível para mim. Na verdade, antes de inesquecível vai ser um trabalho de continuísta experiente. Vou comparar a realidade com os quilos de expectativas que carrego há esses oitocentos anos.<span id="more-48"></span></p>
<p>Primeiro, olhando para dentro.Perceber e checar e checar de novo se realmente consegui alcançar essa alegria de ter você desarmada do meu lado. Protegida no lugar de protegendo-se.</p>
<p>Depois, precisarei deixar a cena do jeito que imaginava. Acho que essa é a parte mais fácil.Basta que seu cabelo esteja jogado para um lado, mostrando o pescoço que pede beijos. Há uma sincronia frágil, mas igualmente fácil de ser alcançada.</p>
<p>No meu roteiro, apesar de abraçados, enroscados e com a mesma temperatura, eu acordo um pouco antes e me afasto um pouco sem você perceber. É só o espaço para focalizar os seus olhos e esperar pacientemente eles abrirem.  Quanto mais demorar, mais vou curtir sua inocência.</p>
<p>Quero ser a primeira imagem que você vê ao acordar. E quero que isso renda um sorriso no seu rosto e o impulso de diminuir os poucos centímetros de distância que abri. Vou ouvir sua voz chegando devagar antes de ter o volume normal. Qualquer coisa que você disser, vai ser linda. Por que vou ser o cara mais feliz do mundo no dia em que acordarmos juntos.</p>
<p><em>PS.: A música do Sinatra fala justamente o contrário do texto.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/48/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/48/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=48&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Você sabe o que é ter um xodó?</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jan 2012 14:37:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[De acordo com o sr. Aurélio, xodó é, entre outras coisas, uma “estima especial”. Mas dizer isso é muito pouco. Primeiro porque dicionário nenhum vai conseguir mostrar o que é ter um xodó. Não é uma coisa fácil assim de escrever em duas palavras –nem com uma ruma palavras, na verdade. Mas quando fica difícil [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=8&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="maos-dadas" src="http://manuelamacagnan.com.br/wp-content/uploads/2011/11/2995.jpg" alt="" width="500" height="333" /><br />
De acordo com o sr. Aurélio, xodó é, entre outras coisas, uma “estima especial”. Mas dizer isso é muito pouco. Primeiro porque dicionário nenhum vai conseguir mostrar o que é ter um xodó. Não é uma coisa fácil assim de escrever em duas palavras –nem com uma ruma palavras, na verdade. Mas quando fica difícil de explicar, melhor jeito é dar exemplos.<span id="more-8"></span></p>
<p>Sabe o carinho de vó? Elas dizem que é igual para todos os netos. Mas não é. Sempre tem um neto que é o xodó. Aquele que ganha o abraço mais apertado, que pode dormir mais tarde, que sempre quando chega na casa da velha encontra o doce que mais gosta –feito na hora e para comer na hora que quiser (até antes da janta!).</p>
<p>Falando em Neto, outro exemplo é o comentarista de TV sem noção que fala com sotaque forçado de caipira. Ele era chamado de Xodó da Fiel quando jogava no Corinthians. O cara era gordo, não corria para ajudar os outros caras do time, arrumava confusões absurdas (tipo cuspir na cara do juiz), mas teve um ano em que ele aprendeu a fazer os gols mais difíceis nos momentos mais difíceis dos jogos mais difíceis. O corinthiano que viu isso, não se importou com a queda de rendimento dele depois daquela fase mágica nem com o fato de ele ter jogado pelo Palmeiras antes. Xodó pode pisar na bola, falar toneladas de merda na TV, que continua sendo xodó.</p>
<p>Dá para ter um xodó por um bar, um restaurante, um lugar, uma cidade. Tive a chance de conhecer Amsterdã, Barcelona, Brasília, Bruxelas, Curitiba, Chicago, Dallas, Frankfurt, Florianópolis, Hannover, San Francisco, Paris, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Nova York… quase um cidade para cada letra do alfabeto. Não trocaria todas elas pela Guarda do Embaú, que nem é cidade. Acho que é uma localidade ou um distrito de Palhoça, que deve ter o tamanho de um estacionamento de um supermercado qualquer de São Paulo. Mas a Guarda tem o melhor camarão do mundo, as tardes que duram o tempo certinho e as noites mornas. É o canto do mundo que eu tenho o maior xodó. Se pudesse estaria escrevendo isso, deitado numa rede. Lá, é claro.</p>
<p>Acontece também, apesar de ser mais raro, de você ter um xodó por uma pessoa. Aí, você junta esses exemplos todos que escrevi aí em cima e se multiplica. Por que você quer mimar, quer dividir, quer cuidar e quer agarrar. Esses verbos podem ser conjugados em músicas de paixão que vão fazer sucesso uma semana, mas a pegada é outra.  O xodó não pode deixar de ser como ele é –afinal os defeitinhos fazem parte da graça da coisa. O xodó não tem data de validade –você até fica chateado e depois releva, dá mil chances só para dar a milésima primeira.  Enfim,  tem sim a ver com a “estima especial” que o sr. Aurélio escreveu no dicionário. Só que vai bem além, porque faz um bem danado ter alguém para querer bem assim.</p>
<p>ps.: não poderia terminar um texto sobre xodó sem falar de cachorro. Eles são o nosso xodó, mas, nós somos o xodó deles muito mais. Também preciso falar de música. Sempre rola um “efeito xodó” quando tem uma banda ou música que você pensa que só você conhece e só você gosta.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/8/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/8/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=8&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Muda</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 19:23:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>

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		<description><![CDATA[Passamos muitos dias com a nossa visão exclusivamente focada em  objetos muito próximos e isso, comecei a perceber, faz com que os nossos problemas internos ganhem uma dimensão maior do que deveriam. Não dá para pensar num futuro distante olhando para uma tela de computador a dois palmos da cara. Respiramos e transpiramos confinados, compartilhamos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=42&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="muda-olhar" src="http://papofoda.com.br/wp-content/uploads/2011/12/400.jpg" alt="" width="400" height="334" /><br />
Passamos muitos dias com a nossa visão exclusivamente focada em  objetos muito próximos e isso, comecei a perceber, faz com que os nossos problemas internos ganhem uma dimensão maior do que deveriam. Não dá para pensar num futuro distante olhando para uma tela de computador a dois palmos da cara. Respiramos e transpiramos confinados, compartilhamos o ar e a solidão com milhões de pessoas que não param para pensar em quem está do lado.<span id="more-42"></span></p>
<p>Antes a vida era guiada pela necessidade (comer , se aquecer), depois pela busca do algo mais espiritual (céu, inferno, pecado) e sempre tiveram momentos entrecortados em que as ideias defendidas valiam uma vida. Hoje, teorizo de novo, o que mais importa é o individuo.  Nem sei se isso é ruim ou bom, ou ainda, se de fato há pessoas que conseguem viver a vida toda olhando para o próprio umbigo.  De todo jeito, faz bem demais olhar para longe –nos dois sentidos que essa frase pode significar.</p>
<p>Pegar a estrada e ver o horizonte, primeiro distante à frente, depois lá atrás no espelho retrovisor, é um exercício necessário para repensar nossa relação com o tempo, com o espaço e, claro, com nós mesmos. Vale a pena levar algumas certezas para passear, ver se elas sobrevivem às dificuldades que surgem quando estamos longe de casa. Também é importante sacar o tamanho da nossa insignificância perante o mundo. Nem falo de natureza e outras grandezas. Passar o dia na estrada te permite ver o céu se movendo, passar por chuva e sol e perceber que tudo isso acontece com ou sem você.</p>
<p>Por mais aterrador que possa aparecer, pode ser bom ficar perdido, reaprender prioridades e depois voltar para casa mais esperto.  E não é preciso ir para longe para notar isso. Desça uma estação antes na volta do trabalho e note as mudanças que aparecem nas ruas em que você não passava há tempos. O tempo não para só porque você ficou com preguiça de sair de casa na quarta à noite.  As pessoas mudam (para pior ou para melhor) a cada segundo e isso pode ser muito difícil de notar. É preciso de espaço, de tempo, de ar diferente para respirar.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/42/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/42/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=42&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Desaparecer</title>
		<link>http://julianojubash.wordpress.com/2011/11/20/desaparecer/</link>
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		<pubDate>Sun, 20 Nov 2011 14:33:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[E quando as coisas não davam certo, não admitia que o dia acabasse daquele jeito. Precisava entender o que dera errado e empurrar a consciência para fora da carcaça. Sempre chegava a um ponto em que a confusão era irreversível, num mundo em que todas as hipóteses e as respostas estão desgastadas. E, sem solução, desaparecia.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=37&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="desaparecer" src="http://29.media.tumblr.com/tumblr_lv0y2jOxkO1qb2ihgo1_500.jpg" alt="" width="500" height="404" /><br />
E quando as coisas não davam certo, não admitia que o dia acabasse daquele jeito.</p>
<p>Precisava entender o que dera errado e empurrar a consciência para fora da carcaça.</p>
<p>Sempre chegava a um ponto em que a confusão era irreversível, num mundo em que todas as hipóteses e as respostas estão desgastadas.</p>
<p>E, sem solução, desaparecia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/julianojubash.wordpress.com/37/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/julianojubash.wordpress.com/37/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=37&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O que sobra?</title>
		<link>http://julianojubash.wordpress.com/2011/11/17/o-que-sobra/</link>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 16:16:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Série - E-mails não enviados]]></category>

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		<description><![CDATA[De: Alberto de Almeida Para: Mauro Mexez Data: 24/11/2011 Assunto: O que sobra? Tenho uma memória péssima, mas algumas frases entram na minha cabeça e não saem nunca mais. Elas ficam ricocheteando de um lado para o outro, mostrando cada vez mais exemplos e significados. Um desses pensamentos recorrentes tem a ver com a declaração [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=10&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<strong>De:</strong> Alberto de Almeida<br />
<strong>Para:</strong> Mauro Mexez<br />
<strong>Data:</strong> 24/11/2011<br />
<strong>Assunto:</strong> O que sobra?</p>
<p>Tenho uma memória péssima, mas algumas frases entram na minha cabeça e não saem nunca mais. Elas ficam ricocheteando de um lado para o outro, mostrando cada vez mais exemplos e significados. Um desses pensamentos recorrentes tem a ver com a declaração de algum cara importante, durante o período mais crítico da Segunda Guerra Mundial. Ele disse “a arte não vai salvar o mundo, mas sem arte não resta muita coisa para se salvar no mundo”.<span id="more-10"></span></p>
<p>Corro o grande risco de ter entendido errado e cultivado a ideia de que a paixão, o singelo e o detalhe são tão (ou mais!) importantes que o prático, o necessário, o sólido.  Também posso ter misturado tudo. A frase pode não ser essa. Mesmo assim, queria seguir acreditando no que ela representa para mim, nesse otimismo que não é gratuito mas é gratificante.</p>
<p>Não uso ali em cima a palavra paixão, como quem fala da vontade do mocinho em ficar com a mocinha da novela das seis. No caso, paixão é o desejo irreprimível de realizar algo. Pode ser uma frase, um beijo, um quadro, uma música, uma panela de brigadeiro ou uma ofensa pesada, e libertadora, vinda lá do fundo do peito.  Abrir a porta, seguir em frente, subir umas ladeiras, chegar no local certo e abrir outra porta. Começo, meio e fim. Missão dada, missão cumprida. Um gole de cerveja gelada depois de uma semana de trabalho.</p>
<p>Explicações dadas, a pergunta: sem paixão, sem esse tesão, sem esse norte, o que é que sobra? É mais do que “sem conseguir o resultado, o que fazer?”, pergunta que só tem uma bifurcação entre insistir ou desistir. Quero saber o que sobra quando nem objetivo você tem. Quando não existe mundo para salvar ou quando o mundo não merece ser salvado.</p>
<p>Depois da tristeza, da preguiça, da reconstrução e de novas perdas, sempre encontrei um pouco de esperança para me agarrar –mesmo que essa fosse inventada. Não é o que sinto agora, quando a culpa é toda minha. Desperdiçando pequenas e grandes oportunidades, dia após dia. Dando carinho para quem não queria, negando para quem pedia. Tudo em busca do norte. Ah, que falta faz esse sentido e essa certeza. Não espero mais o gesto que resolveria esse problema. A esperança foi embora. O que sobra?</p>
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		<title>Pedro e a flor</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2011 14:01:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>jubash</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Era uma noite fria e chuvosa, e isso fez Pedro dar uma risada imaginária, cheia de autopiedade. Sua vida era mesmo um clichê tão surrado quanto a frase que Snoopy batia à máquina quando tentava começar seu romance –que, até onde se sabe, nunca passou da primeira página.   A garoa paulistana incentivava o cultivo da preguiça [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=julianojubash.wordpress.com&amp;blog=2935576&amp;post=33&amp;subd=julianojubash&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" title="noite-fria-chuvosa" src="http://www.snoopn4pnuts.com/images/products/book441a.jpg" alt="" width="480" height="640" /><br />
Era uma noite fria e chuvosa, e isso fez Pedro dar uma risada imaginária, cheia de autopiedade. Sua vida era mesmo um clichê tão surrado quanto a frase que Snoopy batia à máquina quando tentava começar seu romance –que, até onde se sabe, nunca passou da primeira página.  <span id="more-33"></span></p>
<p>A garoa paulistana incentivava o cultivo da preguiça embaixo das cobertas, mas era quarta-feira e não dava para faltar de novo na faculdade. Pedro teria que enfrentar o ônibus, o trânsito, a falta de educação alheia e sua falta de interesse no mundo. Outros clichês de um adolescente na cidade grande, sabia. Ao mesmo tempo, ele pensava: “todo mundo se achava diferente e sofria nessa rotina distanciando o seu sofrimento do sofrimento dos outros. Será que ninguém percebe que uma coisa está ligada à outra?”. Ele percebia isso, mas nem assim tomava alguma ação mais efetiva para fugir da rotina. Enquanto não terminasse a faculdade, teria que aturar o trampo que pagava pouco e as dificuldades que isso implicava. Sentia-se sentado em cima da própria vida, sem deixar que ela se movesse.<br />
A chuva, ao menos, fez o ponto de ônibus ficar ainda mais vazio do que de costume.  Aquela era a hora de chegar ao bairro e não de ir embora rumo ao centro. Por isso, além de Pedro, só mais umas quatro almas corajosas se protegiam do vento gelado. Dentre essas quatro, uma menina alta vestida com uma simplicidade feita sob medida para suas linhas retas e longas. Chamava a atenção de poucos, o senso comum diria que ali faltavam superlativos. Se bem que o senso estético da maioria era outro clichê que Pedro conhecia e repudiava.</p>
<p>E ele começou ali, na espera do ônibus, a desenhar ideias ao redor da menina. Aqueles olhos claros são de francesa. Ela também é estudante? Tem cara de hippie, deve fumar um beck atrás do outro. Que lindo esse cabelo, mas porque tão comprido? E assim ele percebeu, tarde demais, que tinha ativado na sua cabeça o maquinário infernal que criava ideias, hipóteses e suposições que eram respondidas rapidamente com desdobramentos, consequências e novas ações e reações –todoas imaginárias.</p>
<p>Primeiro as ideias otimistas, depois as pessimistas. Depois uma briga entre elas. Quase saia fumaça das orelhas de Pedro quando isso acontecia sem que ninguém que estivesse em volta percebesse. Outro defeito da maioria surda e estúpida, dizia sempre Pedro, é não reparar nos detalhes.  Ninguém, a não ser ele, havia notado que havia uma flor intacta no chão, correndo o risco de ser pisoteada a qualquer segundo. Rapidamente surgiu a ideia de salvar a planta e puxar conversa com a menina que estava distraída, isolada do resto do mundo por seus fones de ouvido.</p>
<p>Do nada, caia do céu uma desculpa para encerrar as simulações e começar uma história –-boa, ruim, medíocre, curta ou longa, quem poderia saber? O ônibus podia passar a qualquer instante e acabar com essa oportunidade. Mas, primeiro, antes de tomar coragem, Pedro foi agarrado pela tentação de imaginar de onde tinha surgido aquela flor. Olhou para os dois lados da calçada e não viu nenhum tipo de árvore emergindo do chão de pastilhas pretas e brancas, daquelas que fazem o desenho do mapa de São Paulo. Só prédios e mais prédios cercavam o ponto de ônibus. Será que aflor fora arremessada de uma janela? Que tipo de pessoa joga uma flor pela janela? Só alguém muito revoltado. Aquela flor chegou até ali por causa de uma briga?</p>
<p>Mistério insolúvel é mistério resolvido. O próximo passo de Pedro foi pensar no que iria dizer depois de entregar a flor para a menina.  Que tal não falar nada? Entrega a flor, olha no fundo do olho dela e não fala nada, Pedro! Deixa, que nesse xadrez vai ser a vez dela de jogar, e você já fez um movimento e tanto. Não, nada a ver. Coisa mais bizarra. Melhor não fazer nada do que passar vergonha.Entre rodadas e mais rodadas de pensamentos contraditórias, chegou o ônibus.</p>
<p>Primeiro o ranger da carroceria que parecia sofrer para passar nos buracos, depois a iluminação precária do letreiro desafiando a chuva, e, por fim, o ônibus em si, cheio de pessoas com olhares mortos e roupas indistintas.  É agora ou nunca, Pedro! É nunca, então.  Mesmo com a menina entrando no mesmo ônibus, sentando meio perto e quase olhando para ele num relance, que ele nem tem certeza se existiu,  a flor ficou lá no chão. “Caralho”, Pedro gritou só para si mesmo ouvir, “é fácil demais reconhecer e odiar os clichês que nos cercam, mas não é tão simples assim fazer algo que surge na sua cabeça sem temer a reação de quem receberá esse atentado à normalidade”. Será que é por isso que o Snoopy nunca passa da primeira página?</p>
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